Histórico

A história da formação de Senhor do Bonfim está diretamente relacionada à busca de ouro e pedras preciosas e à introdução da criação de gado no sertão baiano. Em fins do século XVI, portugueses pertencentes à Casa da Torre, organizavam expedições com destino ao rio São Francisco e às minas de ouro de Jacobina, iniciando a ocupação do interior da província e a formação de vias de comunicação com o litoral.

Situado em zona de passagem dessas expedições, estabeleceu-se no território do atual Município uma rancharia de tropeiros no século XVII, servindo de pouso para vaqueiros, bandeirantes e desbravadores que transitavam naquela Região. Na mesma época, dentro da estratégia de catequese das populações indígenas, foi criado o arraial da Missão do Sahy a partir de 1697, dirigido pela Ordem dos Frades Menores ou Ordem dos Padres Franciscanos. No Arraial, estabelecido nas proximidades de uma aldeia pataxó, foram construídos convento e igreja sob invocação de Nossa Senhora das Neves. Em 1720, o arraial do Sahy passou à categoria de Vila, sediando a comarca de Jacobina até 1724, quando a sede foi transferida para a Vila de mesmo nome.

Com o crescimento da atividade pecuária, a expansão das pastagens, e o conseqüente avanço da ocupação do sertão baiano, formou-se uma povoação ao redor da antiga rancharia, às margens da estrada das Boiadas Em 1750, o núcleo contava com várias edificações e com população estabelecida, recebendo a denominação de arraial de Senhor do Bonfim da Tapera.

O Arraial, além de rota para a penetração no território, destacava-se como importante núcleo, desenvolvendo-se com base em atividades ligadas à criação de gado. As riquezas minerais da Região, além da localização privilegiada do Arraial, atraiam grande número de tropeiros, aventureiros e peões vindos de outras partes da Bahia e do Nordeste, dificultando o controle e a ordem na localidade. O município criado em 1776 por força de Carta Régia, para solucionar os constantes problemas que surgiam em 1799 com a população local que chegava a 600 pessoas – requereu ao governo da Província a criação da Vila, solicitação que foi atendida no mesmo ano com a instalação da Vila Nova da Rainha em primeiro de outubro.

Oitenta e seis anos mais tarde, a Vila foi elevada à categoria de Cidade, pela Lei Provincial nº 2.499 de 28 de maio de 1885, tendo seu topônimo modificado para Bonfim. Em 7 de janeiro de 1887, foi criado o Município, com a mesma denominação, a qual foi alterada somente em 1943, através do Decreto Lei no 141 de 30 de dezembro, passando a chamar-se Senhor do Bonfim, assim como a Sede Municipal.

Beneficiado por sua situação geográfica, rota quase obrigatória entre o litoral do Estado e a região do São Francisco, e historicamente vinculado ao processo de povoamento da zona do sertão baiano, o Município desenvolveu-se como importante entreposto comercial e entroncamento viário para as regiões de Jacobina e Juazeiro, catalisando um grande número de empreendimentos e atraindo novos moradores para o local. Senhor do Bonfim consolidou-se como principal centro da Região, polarizando outros menores, como Campo Formoso, Jaguarari, Pindobaçu, Itiúba, Antonio Gonçalves, Andorinha, Ponto Novo, Umburana e Filadélfia.

Durante o período inicial de formação da sua base econômica, o Município teve na criação de gado a sua principal atividade, ganhando espaço, ao longo dos anos, as culturas temporárias de feijão, milho, mandioca e mamona, além do cultivo de sisal e o extrativismo do ouricuri. Ao lado destas atividades, expandiu-se o comércio, e unidades beneficiadoras de sisal, mamona, ouricuri e leite estabeleceram-se no local nos anos 70, promovendo efeitos significativos na economia municipal, que progrediu continuamente.

Na década subseqüente, o declínio das culturas de sisal, mamona e ouricuri (pela sua substituição por produtos e fibras sintéticas) provocou o fechamento e a migração de indústrias, mas a intensificação da atividade pecuária e a criação de uma bacia leiteira na Região minimizaram os impactos do desaquecimento da agricultura sobre a economia, tendo em vista o montante de investimentos realizados no setor de pecuária. Com isso, gerou-se uma dependência quase absoluta da atividade, que apesar dos reflexos positivos sobre outros setores revela-se extremamente danosa em épocas de crise.

Em acréscimo, os problemas de origem hídrica encontrados na região de Senhor do Bonfim limitam o aproveitamento das grandes faixas de terras propícias às pastagens e com boa fertilidade para os cultivos agrícolas. De fato, desde o início da década de 90, a estiagem prolongada vem causando a redução dos rebanhos e a quebra de safras, que repercutem sobre as atividades secundárias e terciárias e configuram um quadro extremamente negativo para a população do Município.

Desta forma, a história recente de Senhor do Bonfim está marcada pela involução das atividades econômicas e pela dificuldade de superação da crise, por conta das deficiências hídricas e da falta de planejamento do setor primário para a redução dos efeitos das constantes secas que atingem a Região e impedem o desenvolvimento do Município nos níveis verificados nas décadas anteriores.

 

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